Pai, vamos esquecer este ano. Todas as palavras ditas, as emergências, a definitiva sensação que eu senti quinta-feira da semana passada: "ele não vai voltar para casa".
Vamos esquecer os prazos, os tempos que o corpo te ia explicando, o súbito acelerar, tão estranho, como um interruptor numa vida, ainda dá, já não dá para ficar em casa.
Esta nossa medicina ainda só ajuda, não substitui, não coloca onde não está uma coisa nova que nos espanta porque é cópia.
Mas, pai, vivemos ainda juntos muito tempo e bem. Éramos um triângulo e ao nosso triângulo fomos dando muitos nomes, sabendo ou sem saber que nomes eram, certos ou errados, sérios ou uma brincadeira. Só sabíamos que havia este triângulo. Moldando como a nossa felicidade era.
E agora?
Pai, vamos esquecer este ano.
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