domingo, 18 de outubro de 2026

Semana 42.


1. A França é especialista em violência de rua, ao que parece. Mas será só isso? Consultando o Eurostats a percentagem da população francesa em risco de pobreza e exclusão social é ligeiramente superior à percentagem portuguesa: 20,5% vs 19,7%! Curiosamente o PIB per capita francês é 50% superior ao português mas, quando aferido para as PPP (Paridades em Poder de Compra) que corrigem para o custo de vida local, o PIB per capita francês em PPP é pouco mais de 20% superior ao português. Portanto mundos afinal não tão distantes na vida real do dia-a-dia, embora com percursos históricos bastnate distintos. A história francesa é recheada de revoluções mais ou menos violentas, a última o Maio de 68. Vivemos as últimas décadas com a boca cheia a falar do "Maio de 68". O Maio de 68 ditou o epílogo de De Gaulle à frente de França. Mas nas legislativas de 68, realizadas em Junho, o partido Gaullista ganhou por ampla maioria e, nas presidenciais de 69, ganhou folgadamente o gaullista Georges Pompidou, que tinha sido o primeiro-ministro a aguentar e resolver o... "Maio de 68".
A violência nunca dá votos. Custa dizer isto mas a violência só resulta quando leva a uma... revolução. Que não se deseja. Há dois dias falava-se do protesto dos estudantes e da crise da habitação.  Hoje só se fala da violência. 
Mais uma vez digo: vejo cada vez mais claramente Marine Le Penn presidente de França em 2027. E aí o futuro talvez repouse na polícia e nos militares de França e como eles irão cumprir as ordens que entretanto lhes serão dadas nesse tempo em que o desejo popular maioritário de ordem repousará no mando de gente... nada democrática.  
As terríveis imagens da Mairie de Limoges a arder serão um sinal. Le maire - de centro-direita - foi dizendo que a desordem fôra organizada pela extrema-esquerda. Em quem irá ele votar em 2027?


2. Afinal eu  prefiro a Associação Académica de Coimbra ao Tribunal Constitucional. E, se pudesse, ia viver para dentro das suas instalações, que excluiram o CHEGA.
"Il sorpasso" foi uma expressão política criada nos anos 70 em Itália quando houve a expectativa não confirmada do Partido Comunista Italiano, convertido ao eurocomunismo por Enrico Berlinguer, ter mais votos que a Democracia-Cristã, no poder desde 1945. Acho uma expressão bonita. Há meses largos que o CHEGA está à frente da AD nas sondagens. "Il sorpasso" português à direita está a acontecer. O mesmo está a acontecer em França, no Reino Unido, em Itália, onde até já temos a extrema-direita a governar. O esvaziar da direita para a extrema-direita acontece porque o centro está a desaparecer. Idem os direitos das minorias, incluindo já, atenção, as "grandes" minorias, como por exemplo os jovens, que são apenas 1 em cada 8 votantes em Portugal (34 anos ou menos). A vontade da maioria é o mantra do populismo. As liberdades e garantias, a solidariedade social, um projecto nacional compreensivo não. E tudo começou um pouco quando em 1987 Margaret Thatcher disse: "There is no such thing as society.". Hoje aqui estamos.  Com o deputado Bruno Nunes do CHEGA a dizer na Assembleia da República alto e em bom som: "Enconstem-nos à parede!".

3. Issa Doumbia nasceu em Treviglio, na Lombardia. Marca golos bonitos.

4. Porque um top dez dos melhores ciclistas masculinos de estrada da história não é tão difícil de fazer quanto isso, apresento-vos (ah ah!!!) o meu top 11-20! 20:  Costante Girardengo;  19:  Rik van Looy; 18: Ferdi Kubler; 17: Joop Zoetemelk; 16: Alberto Contador;  15: Roger de Vlaemynck; 14: Felice Gimondi;  13: Louison Bobet; 12:  Francesco Moser;  11: Primoz Roglic.

5. "No punishment in my opinion is too great to the man whos greatness is made on the ruin of the country." - George Washington.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Semana 41.


1. Em França Jean-Luc Mélenchon defende o não alinhamento perante a invasão ucraniana e Marine Le Pen quer suspender o apoio financeiro à Ucrânia. A pinça de Putin a apertar a França, o segundo pulmão da Europa que vai terminar o ano de 2026 com um ratio da dívida pública a 119% do GDP e um défice orçamental acima dos 5%. 

2. Pedro Passos Coelho deu a tão esperada entrevista à benevolente e amiga Maria João Avilez. Resumindo e concluindo, ele quer que este governo falhe (check! está a falhar.) para que o PSD o acolha como o ungido e assim poder constituir a grande maioria com o CHEGA e a IL. Pedro, Pedro, Pedro, desde os tempos da JSD e a Tecnoforma que nunca me pareceste particularmente inteligente. Quando governaste não governaste. A Troika governou por ti. A anosmia que eu sinto pelos tempos de António Costa não te puxam para o meu panteão de heróis. E nas últimas sondagens o CHEGA já ultrapassa convicentemente o PSD. E o André vai liderar a Comissão Parlamentar que vai dissecar e trucidar Luís Neves. Too late, pal! Boring!

3. Eu disse que o importante ia acontecer em Braga.

4. O nome é Seixas, Paul Seixas.

5: "A boa guerra faz a boa paz" - Afonso de Albuquerque.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Semana 40.


1a. Flávio Bolsonaro venceu o 1º turno das eleições presidenciais brasileiras e tem a eleição para presidente praticamente assegurada. A esquerda brasileira tem como candidato um Lula da Silva com 80 anos e que se candidatava pela 7ª vez. O sucesso "eterno" de Lula afogou o centrão brasileiro e atirou o país para a extrema-direita. Podemos elogiar o Brasil pela rapidez da contagem dos votos mas mais nada. Flávio Bolsonaro é o filho de um homem que está preso e que em tempos disse que a ditatura militar brasileira "devia ter matado mais gente, tipo a ditadura militar argentina". Mas hoje a direita na América Latina já não precisa de golpes de estado. Basta-lhe com enganar as pessoas e prometer o céu perante uma esquerda sem ideias novas.

1b. A Espanha vai a votos. Em Dezembro do corrente ano, portanto, a Espanha vai passar a ser governada por uma coligação PP-VOX, a exemplo do que já acontece nas seguintes comunidades autónomas: Andaluzia, Aragão, Castela e Leão e Extremadura. Santiago Abascal vai ser ministro de quê?

Em Espanha como no Brasil tudo vai ser decidido por quem não vota.

2. Teresa Nogueira Pinto é comentadora da SIC Notícias aos sábados onde semanalmente trucida a escritora Ana Bárbara Pedrosa. É militante do CHEGA e no governo-sombra deste partido enverga a pasta da "Cultura". Não concordo com quase nada do que ela diz. Mas reconheço a inteligência. Espanta-me a sua convivência (no CHEGA) com elementos como os Pedros, Pinto e Frazão. Será cálculo.

Heidegger foi militante do partido nazi.

3.  Preocupa-me é o jogo da próxima sexta em Braga. A selecção? Está bem entregue, é não mexer.

4. Repito o que já disse: o domínio de Demi Vollering no ciclismo feminino (vidé Europeu este sábado) é mais "humano" do que o de Pogacar no ciclismo masculino. Vence quase sempre mas sofre para vencer.

5. "E eu vos dei uma terra em que não trabalhastes, e cidades que não edificastes, e habitais nelas e comeis das vinhas e dos olivais que não plantastes!" Livro de Josué, 24:13.



terça-feira, 29 de setembro de 2026

Semana 39.


1. Não se consegue evitar Gaza. Quando penso em Gaza fico com náuseas, dores de cabeça, sintomas vários. Como se o meu corpo quisesse recusar o que está a acontecer. Que é um genocídio. O meu corpo pergunta-me: "não vais fazer nada?" Por isso, confesso, às vezes tento evitar pensar em Gaza, um egoísmo meu. Eu nunca devia deixar de pensar em Gaza. Para que se entenda, Gaza é um cidade antiga, com uma história de três milénios. A chamada "Faixa de Gaza" foi inventada em 1948 na Guerra que sucedeu à independência de Israel. No mapa de partição da ONU em 1947 não havia bem uma "Faixa de Gaza" enquanto tal. Mas a questão de Gaza, como toda a questão palestiniana, nasceu a 2 de Novembro de 1917, com a Declaração de Balfour. Ou seja, 106 anos antes de 7 de Outubro de 2023.

Por outro lado, quando pretendo esquecer Gaza, derivo para a Margem Ocidental.  E a náusea volta igual. Uma sugestão mínima: consultar uma lista de bens importados dos colonatos israelitas - e não comprar.

2. Um quarto dos eleitores portugueses que querem votar (a isto voltaremos) aparentemente está disposto a votar num partido que encenou (e mal) um assalto ao seu gabinete na Assembleia da República.

3. Cristiano, sê um Homem.

4. O ano de 2026 será no ciclismo o ano de Demi Vollering. Ganhou quase sempre, mas nunca esmagando. Mas ganhando quase sempre: Ronde, Fléche Wallone, Liége,  Giro, Tour, Mundiais de Estrada.

5: "Je travaille tant que je peux et le mieux que je peux, toute la journée. Je donne toute ma mesure, tous mes moyens. Et après, si ce que j'ai fait n'est pas bon, je n'en suis plus responsable; c'est que je ne peux vraiment pas faire mieux." 

citação de Henri Matisse por José Almada Negreiros , em A Invenção do Dia Claro.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Semana 38



1. Não há fronteiras naturais. O natural é não haver fronteiras. Em 1415 D. João I não colonizou Ceuta, conquistou-a. Como 3 séculos antes D. Afonso Henriques Lisboa. Sobre a mesquita de Ceuta construiu-se uma catedral. Como 3 séculos antes em Lisboa sobre uma mesquita se começou a edificar... uma catedral. Portugal colonizou sim as ilhas atlânticas - dos Açores a São Tomé - o imenso Brasil e, tardiamente, os seus territórios africanos da Guiné, Angola e Moçambique. Se Tarifa ou Algeciras hoje fossem marroquinas, por circunstâncias da história, o que fazer? Ceuta nunca foi uma "colónia". Era parte do Algarve "d'além-mar". Forçando ao  extremo o raciocínio os turcos deviam devolver Constantinopla, embora eu não saiba muito bem dizer a quem...

Tudo isto para dizer que os habitantes de Ceuta, que se dizem espanhóis desde 1580, estão sozinhos nesta história. Nem a União Europeia, para quem eles são um aborrecimento, nem a Espanha continental, para quem Ceuta é apenas uma bandeira nacionalista, os vão ajudar. Um número desconhecido (mil? milhares?) de menores, raparigas e rapazes, vagueiam hoje pelas ruas de Ceuta. O governo de Espanha tem direito por lei de pegar nestes menores e para aliviar Ceuta trazê-los para a península e analizar caso a caso a sua situação, como as leis europeias e espanholas o exigem, antes de qualquer devolução a Marrocos. Mas nenhuma autonomia espanhola o quer, pela repercussão eleitoral, nem o resto da Europa, pois este menores entravam assim no espaço de Schengen. Nem, por último, o governador de Ceuta o permite, porque é do PP e só quer despachar os menores de volta ASAP a Marrocos.

Assim estamos, com medo de uma invasão protagonizada por gente que ainda não tem idade para conduzir nem votar. Embora antes disso tenham sede e fome. E votar em Marrocos não é uma coisa por aí além E Marrocos tem oito vezes menos carros per capita que Espanha.

2a. "Il sorpasso" foi um termo político aplicado à transitória expectativa de ultrapassagem pelo Partido Comunista Italiano (PCI) da votação da Democracia Cristã italiana nas eleições de 1976. "Il sorpasso" nunca acontecesse, apesar do PCI ser um arauto do "eurocomunismo", um conjunto de partidos comunistas europeus que aceitavam explicitamente o jogo da democracia ocidental e rejeitavam o modelo soviético, os anos 80 e o colapso da URSS acabaram com o PCI. "Il sorpasso" hoje em dia é outro, o se e quando a extrema-direita vai ultrapassar o partido ao seu lado e ser a voz mais grossa à direita do centro. Em França e na Itália já aconteceu, em Portugal vai acontecer.

2b. Ontem no hall do Hospital onde eu trabalho, o guarda-redes do Benfica era apenas "aquele preto que nunca me convenceu como guarda-redes". Lembrei-me de quando era criança e ia ver nos anos setenta os jogos da Ovarense e os atacantes, importados das ex-colónias, ora tinham nome se jogavam bem, ou então eram apenas uns "pretos do c***o". Cinquenta anos depois...

3. Algo me diz que a próxima recepção do Porto ao Sporting no Dragão vai ser bem mais tranquila. Chatear-mo-nos porquê?

4. Quem vai ganhar o Mundial  de Estrada em Montreal?

5.  "Imagine that you see the wretched strangers. Their babies at their backs and their poor luggage, plodding to the ports and coasts for transportation. And that you sit as kings in your desires, authority quite silent by your brawl, but chartered unto them. What would you think, to be thus used? This is the strangers' case. And this your mountainish inhumanity." citação de uma peça de William Shakespeare no começo do filme "I Was A Stranger". de Brendt Andersen.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Semana 37.


1. Alice Weidel é co-líder do partido alemão de extrema-direita AFD. Tem 47 anos, e nasceu na parte ocidental da Alemanha. Estudou economia e administração de empresas e doutorou-se com uma tese sobre o sistema chinês de pensões. Filiou-se no AFD em 2013 "por ser contra o euro". É lésbica, vive com uma produtora de cinema e televisão nascida no Sri Lanka e adoptada por um casal suiço em criança. Têm duas crianças adoptadas. Com toda a sua carreira profissional na alta finança, tem residência fiscal na Suiça. Nada disto interessa para os alemães que votam na AFD. Ou se interessa não interessa. A verdade hoje é um detalhe. Weidel cheira a Meloni. Cuidado com ela.

2. Foi notícia recente que a urgência de obstetrícia do Amadora-Sintra atende 40% de estrangeiras. Cito: "Muitas vêm do avião directamente para a urgência!" Esta notícia acontece na semana a seguir ao Amadora-Sintra ter sido notícia pelo enésimo colapso da sua urgência. Sandra Cavaca, que transitou dos SPMS para a Administração do Amadora-Sintra em Fevereiro e com currículo em gestão pelo ISCTE, admite que 18% da população servida pelo seu Hospital é estrangeira. Façamos as contas: Deste 18%, 30 a 40% são mulheres, muitas delas em idade fértil.  Duplicando o ratio de mulheres estrangeiras em idade fértil vs as portuguesas, vai dar perto de 30% de urgências obstétricas a serem justificadas pela pulpulação imigrante feminina que vive... em Sintra e na Amadora! Os outros 10% possivelmente chegarão do aeroporto, é verdade, com gestações de termo não vigiadas que serão um desafio médico e ético - não podem deixar de ser atendidas - e depois de cobrança - elas não vão pagar. O desafio médico e ético parece-me mais grave do que o financeiro, que também existe. Vamos também falar dos estrangeiros nas urgências do Algarve? Mas não é isto que vai afundar o SNS.

3. Confirmo a candidatura do Sporting ao 3º lugar do Campeonato e a sair da Liga dos Campeões no playoff.

4. Se o Isaac del Toro corresse noutra equipa era o meu ciclista favorito.

5 A realidade / é a minha cura // a nascente escura / das horas de ponta // os supermercados / as repartições // escapes de carros / montras, os balcões // mendigos no chão / com os aleijões // cartazes, as praças / de pedra afagada //  a realidade / é o meu suporte // quase que detém /  por um pouco a morte. (...)

Joaquim Manuel Magalhães, em 1990 no livro "Uma luz com um toldo vermelho" (livro depois "renegado").

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Semana 36.


 1. Magdeburg é a capital do estado federal alemão da Saxónia-Anhalt, onde este passado domingo o partido de extrema-direita AFD ganhou com 44% dos votos. Magdeburgo foi das cidades mais importantes da medieval Liga Hanseática. As Leis de Magdeburgo foram criadas no século X e decidiram por séculos os direitos citadinos na maioria das cidades da Europa Central e do Leste. A primeira cidade importante a aderir à reforma de Lutero, Magdeburgo foi destruida duas vezes, na Guerra dos 30 anos no século XVII,  e na 2ª Guerra Mundial. A 24 de Abril de 1974, em Magdeburgo,  o Sporting de Yazalde mas com este lesionado, perdeu a 2ª mão da meia-final da Taça dos Vencedores das Taças. O FC Magdeburg seria o vencedor do troféu. Nada disto explica o acontecido. 

2. Rui Cristina, Presidente da Câmara de Albufeira, tem um processo de perda de mandato pendente por, através de interposta pessoa, ter contratado a sua irmã para o pessoal da Câmara. André Ventura não tem nenhuma irmã. Fosse André Ventura bafejado com essa sorte e nosso primeiro-ministro, a bendita irmã seria Ministro da Administração Interna, sem nenhuma das trapalhadas que hoje estamos a viver.  

3. Cem quilos pesa o equipamento verde-e-branco a Rodrigo Zalazar.

4: João Almeida a subir uma montanha. Leva meses nisso.

5: "Quem multiplica o saber aumenta as angústias", Andrei Tarkovski, no filme Andrei Rublev, do livro Eclesiastes 1:18.