domingo, 1 de março de 2026

A morte de Ali Khamenei (e a prisão de Nicolás Maduro).

Ninguém mais do que eu quer a mudança do regime iraniano. A sua existência e, nomeadamente, o seu tratamento discriminatório das mulheres, faz o partido Chega parecer no nosso parlamento um defensor do sexo feminino, que sabemos que não é.

Mas a morte de Khamenei (como a prisão de Maduro) não vai assegurar a melhoria das condições de vida iranianas (ou venezuelanas), tendo em atenção que a vocação de Donald Trump para defender a democracia no exterior é ainda menor do que a sua vocação para promover a democracia internamente. 

A sociedade iraniana é muito complexa, não é só Teerão, não é só mulheres a sofrer a opressão religiosa, jovens a querer uma vida melhor e mais... ocidental. A revolução iraniana de 79 foi extremamente popular, no início, ao acabar com um regime autocrático ditatorial opressor mas extremamente popular no Ocidente. A novo regime era uma teocracia xiita mas com um forte componente militar e paramilitar, muito reforçado pela guerra Irão-Iraque de 1980-88, onde o Ocidente apoiou... o Iraque de Saddam Hussein. O único vislumbre de democracia no Irão acontecera entre 1951 e 53 com o primeiro-ministro Mossadegh, derrubado por um golpe financiado pelos americanos e os ingleses. Mossadegh, não morreu em 53, teve direito a falecer por doença numa cama de hospital em Teerão, 14 anos depois. 

Hoje já não é assim. Bombardeia-se e pronto! E ainda faltam pelo menos três anos! Queriam que o Rangel protestasse por causa das Lajes. Tá quieto, abelha!

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