Visitei pela primeira vez Faro para conhecer António Lobo Antunes. Numa pequena livraria que tinha um cafetaria com um pátio, Lobo Antunes respondeu a perguntas e foi falando sobre isto e aquilo. Conversou como se estivesse a escrever uma crónica das dele. Fumava. Levei-lhe um livro para autografar.
Não leio livros de Lobo Antunes desde o século passado. As crónicas sim, como muitos mais. Fui até à 17ª edição da História da Literatura Portuguesa, de Óscar Lopes e António José Saraiva e Lobo Antunes merece uma atenção um pouco desconcertada de pouco mais de meia página. O rival Saramago merece um pouco mais de atenção e um começo de reverência. Esta 17ª edição é de 1996.
Conheci Óscar Lopes na urgência do hospital em que trabalho, nunca vi gigante mais pequeno, numa cadeira de rodas. José Saramago parecia-se com o meu pai, excepto na simpatia onde, tardiamente embora, o meu pai lhe ganhava.
Quando me encontrei perante o escritor para lhe pedir uma dedicatória preguei-lhe uma mentira, que ele, com um sorriso, adivinhou. Escreveu exactamente o que lhe pedi. Era portanto um homem bom.
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