Volto a escrever para reflectir nestas difíceis semanas que estão a acontecer. Difíceis. Cá e lá.
1. "Salvar Portugal" e André Ventura. Passo por este cartaz todos os dias. Portugal precisa efectivamente de ser salvo. Dele. Mas não só. Na política portuguesa pelo acaso é que vamos. Não estava previsto que Luís Neves chegasse a Ministro da Administração Interna. Luís Neves, enquanto Director da Política Judiciária, teve das intervenções públicas mais importantes ao negar a relação entre a imigração e a insegurança nas ruas, por um lado, e sublinhar o perigo da extrema-direita organizada nas franjas hoje "próximas" da sociedade, por outro. Não quero crer que estas intervenções estejam a provocar este escrutínio. Os pagamentos em dinheiro acima da lei e a manipulação canhestra do caso da "galera" com acetona deviam implicar demissão a qualquer um. Queimar porém a ÚNICA PESSOA do nosso mainstream a denunciar nos últimos anos o risco real da extrema-direita custa-me. Estaremos em tempo ainda de limpar armas?
2. Sobre Ceuta podia esperar até 16 de Agosto para escrever. Mas não. Nenhum país europeu tem uma taxa de fertilidade de pelo menos 2,1, que é a taxa que assegura a reposição da população. Dito isto a necessidade de imigrantes na Europa é uma evidência. E é uma evidência que nos entra pelos olhos dentro, na assistência aos idosos, na restauração, na construção civil, na agricultura. Uma boa política de imigração deverá ser a diferença da Europa para o mundo. E, esquecendo questões morais e humanitárias, resulta. O crescimento do PIB espanhol dos últimos anos deve-se em pelo menos 50% à absorção proactiva de uma população migrante esforçada e... contribuinte. Mas atingir o número 2,1 nunca será a solução mágica para resolver a xenofobia e o racismo larvares que justificam todos estes pânicos europeus. Nunca começaremos a fazer mais filhos para os mandar para as obras ou para trabalhar em lares ou na agricultura intensiva. Precisamos de imigrantes, ponto. Uma boa dotação orçamental para o acolhimento e integração destas gentes (haja coragem e cordão sanitário aplicado às vozes da extrema-direita) e esta pagar-se-á com bónus fazendo crescer mais e mais a economia europeia, que disso bem precisa. Marrocos e a extrema.-direita europeia, que curiosa aliança. Finalmente umas palavras sobre os dois mil menores retidos em Ceuta. Não se começa a sonhar por decreto só aos dezoito anos. A sermos coerentes com as nossas leis, estas crianças não deveriam acabar como vítimas de tráfico humano, que é o que vai ser.
3. Tenho um papel colado no frigorífico para aprender todos os nomes dos novos jogadores do Sporting. Acho que vêm mais. Assim fica difícil.
4. O ciclista Tadej Pogacar vai à Vuelta a España para ganhar. Pogacar ganhou todas as Grandes Voltas em que entrou em 2024, 2025 e agora, 2026 (4 que eventualmente serão 5). Vamos comparar: Merckx, ganhou todas as Grandes Voltas em que correu em 70, 71, 72, 73 e 74. Cinco anos. Acrescentaríamos antes 68 e 69 não fôsse uma curiosa desclassificação por doping no Giro de 69 que permitiu a vitória de um italiano. Contando portanto com o Tour de 69 dez Grandes Voltas seguidas com vitória de Merckx. DEZ. Nas comparações vamos ter calma.
5. Para quê escrever?