terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Novo Hospital.

Não deixa de ser curioso que um homem de apelido 'Agonia' crie um hospital de nome 'Senhor do Bonfim'. Uso próprio? Ou apenas um desejo?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Há quantos anos é Mário Soares inimputável?

Já houve um Partido Socialista em Itália. Com origens no século XIX, viveu sempre à sombra dos Eurocomunistas e "entalado" entre estes e a Democracia-Cristã, desde o estabelecer da estrutura partidária italiana do pós-guerra.
Bettino Craxi foi o único secretário-geral do PSI a conseguir ser primeiro-minitro da Itália, nos anos oitenta, como chefe e congregador do chamado "pentapartido", que agregava à Democracia-Cristã e ao PSI outros três pequenos partidos de centro, a versão italiana do "arco de governabilidade".
Em 1993 Bettino Craxi foi acusado - em nome do seu partido - de financiamento ilícito pela Mafia, etc. - sendo a defesa pelo próprio algo do estilo "não fomos só nós, éramos todos". Bettino Craxi fugiu para a Tunísia em 1994, onde morreu, fugido da justiça italiana, em 2000. Bettino Craxi era amigo próximo de Ben Ali, ditador tunisino desde 87 e cujo primeiro governo ocidental a reconhecer a tomada de poder foi o de... Craxi. A "Operação Mãos Limpas", dirigida por Antoni di Pietro, então juiz, levou ao poder outro amigo próximo de Craxi, Berlusconi - Craxi foi sua testemunha no seu segundo casamento...
Parece portanto que, às vezes, os políticos muito conhecidos podemmesmo assim  fugir...

Mário Soares - ou o PS, mais propriamente - recebeu muito dinheiro do PSI nos anos 70. Não discuto esses tempos, "excepcionais". Em 1995, aproveitando uma viagem oficial à Argélia, Mário Soares visitou o amigo Craxi, já então um fugitivo europeu à justiça. Só podemos concluir que em  1995 Mário Soares já era inimputável...

Eu aliás lembro-me de um episódio onde ele cavalgava um tartaruga gigante...

A prisão do admirável homem novo.

Está preventivamente preso em Évora o admirável homem novo. Nos últimos quinze, vinte anos, muitos de nós quisémos ser como ele, ou que os nossos filhos o fossem. Esperto, decidido, não olhando a meios para os fins, discurso pronto, simpatia quanto baste, ferocidade logo ali. Na prática sem escrúpulos materiais mas não disposto a matar, com a pátria na ponta da língua mas oh tão distante do coração. E capaz oh tão capaz. É para fazer ETAR's? Aqui vão ETAR's! Eólicas também! E auto-estradas e barragens. Pelo caminho cortinas de fumo - o casamento gay, o aborto. O punho erguido mas porque pode dar jeito para dar um murro. Ele era o admirável homem novo e achava que o país lhe devia muito, embora tardasse em o reconhecer. O dinheiro desviado era como um pagamento adiantado, devido oh se devido. O lugar na história logo ali.

Está preso em Évora o admirável homem novo. Lá fora está frio mas sol. Só tenho pena pela minha amiga - e doente da consulta - Rosa, desde sempre apaixonada pelo seu José.

domingo, 23 de novembro de 2014

Confirmo.

O tempo de Sócrates acabou.

Inês é morta?

Sócrates está preso. Inês é morta? 
A prisão daquele que foi o primeiro-ministro de Portugal anterior ao actual deve criar em nós, portugueses, mais preocupação do que regozijo. Prisão e não condenação, claro, mas tu e eu sabemos que, se não fôr Sócrates condenado será apenas porque a máquina da justiça está bem mais oleada do que antes mas ainda não chegou aquele ponto onde. 
Vamos elencar os primeiro-ministros do Portugal democrático: Mário Soares, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Mário Soares outra vez, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho. 
Sim, a coisa pública tem vindo a degradar-se. A política é a arte de um povo a governar-se como um todo. Arte esta que historicamente foi condicionada pela raíz ideológica do governo empossado. As ideologias políticas foram construções teóricas, nascidas em momentos históricos próprios, para a governação das gentes, da polis, que pretendiam gerir as relações entre os diferentes estratos do povo, suas forças e fraquezas, suas razões e queixas. Da teoria à prática sempre houve a distância que vai do sonho – ou do pesadelo sonhado - até à dura realidade dos dias. Hoje não há ideologias. 
Ninguém governa, repito. É um povo que se governa através dos seus representantes eleitos. Esquecido isto, quem sobe governa-se. E sem outro projecto nem destino que não a aquisição de poder, de riqueza. Sócrates não viu a parede à sua frente nem se apercebeu dos seus limites, continuando a assaltar bancos. Passos Coelho, via Tecnoforma, não é mais do que um carteirista. Apanhando-se no governo desmultiplicou o gesto assaltando dez milhões de carteiras. Inês é morta.

O último país europeu que viveu um período justicialista parecido com o nosso foi a Itália. Depois aconteceu  Berlusconi. Temo pelo futuro político deste meu país.
  

domingo, 16 de novembro de 2014

Dos avós que temos ou tivémos, Paulo.

Não conheci o meu avô Manuel, o pai da minha mãe. Das grandes penas da minha vida esta é, sem dúvida, a mais irrevogável. Que se pode aprender com um avô ou uma avó? Nada que tenha a ver com palavras. Os avós são uma espécie de calor que nos acontece. As lições não têm princípio, nem meio, nem fim. Nem são lições mas momentos, episódios, achados que não vamos querer perder. Dos meus avós paternos, Guilherme e Piedade, pouco posso dizer porque o tal calor de que falo nunca foi muito. Alguém me disse recentemente que eu era o neto preferido. Que outros por isso sofreram. A culpa nas costas de uma criança é muito mais do que um casaco mal vestido. Eu não era o neto preferido. Era o rapaz primeiro, filho do irmão mais velho, e isto foi um peso. Os meus avós serviram-me apenas para eu aprender a ler o meu pai. Ao fim de muitos anos aprendi. A minha avó materna, Rosa, também nunca me transmitiu muito do calor de que falo. A casa dela foi-me quase sempre estranha e, para o fim, ficou cada vez mais longe, até se perder. Para a minha avó Rosa eu era o resultado de um casamento mal visto, não querido, indesejado. Aqui eu não precisei de a conhecer bem para aprender a ler a minha mãe. O meu acesso muito directo, horário, à minha mãe e aos seus problemas de vida deram-me toda a leitura necessária, que até hoje se prolonga. Ainda a semana passada alguém terá ido bater à porta da casa de meus pais para formalmente pedir desculpa por coisas passadas há trinta, quarenta, cinquenta anos. Assim são as famílias que, de mal construidas, acabam por perecer bem antes da morte dos seus elementos. É engraçado, toda a minha vida tenho-me encontrado com pessoas que elevam o altar familiar a grandes alturas. Eu não, nem qualidade nem defeito. Não aconteceu. É também por isto, meu caro amigo Paulo, que queria dar-te os parabéns, pela tua - contaram-me - grande tristeza pela recente morte da tua avó. E "os meus sentimentos" são estes. Um abraço.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O Professor Daniel Serrão.

Entrei para este Hospital há 32 anos. Sim, porque a Faculdade de Medicina estava então nas entranhas deste Hospital, escondida por baixo, espalhada por entre. Agora é menos assim, e eu estou de acordo. Sempre achei que a exposição precoce ao sofrimento alheio e à doença passeada em cadeira de rodas ou em maca dessensibilizava. E, porém, cheguei ao meu Ciclo Clínico da Faculdade com o medo ao doente e à doença intacto. Mas hoje só vou falar de um professor que eu tive de nome Daniel Serrão, e que fazia de cada aula uma narrativa. Sei hoje, e já então o pressentia, que, por ele e mais dois, três ou quatro outros como ele, no Ciclo Básico da FMUP - no Ciclo Clínico não - eu fui um aluno privilegiado. As aulas do Professor Daniel Serrão eram um privilégio. A Cadeira que ele regia uma referência. O Professor Daniel Serrão está muito doente neste Hospital por onde há 32 anos vagueio. Saber que ele também por aqui andava mitigava-me a descrença. Desejo-lhe as melhoras, rápidas ou lentas, mas as necessárias melhoras. Qualquer ser humano é insubstituível. No caso do Professor Daniel Serrão esta evidência toma a dimensão de um mundo.