1. A França é especialista em violência de rua, ao que parece. Mas será só isso? Consultando o Eurostats a percentagem da população francesa em risco de pobreza e exclusão social é ligeiramente superior à percentagem portuguesa: 20,5% vs 19,7%! Curiosamente o PIB per capita francês é 50% superior ao português mas, quando aferido para as PPP (Paridades em Poder de Compra) que corrigem para o custo de vida local, o PIB per capita francês em PPP é pouco mais de 20% superior ao português. Portanto mundos afinal não tão distantes na vida real do dia-a-dia, embora com percursos históricos bastnate distintos. A história francesa é recheada de revoluções mais ou menos violentas, a última o Maio de 68. Vivemos as últimas décadas com a boca cheia a falar do "Maio de 68". O Maio de 68 ditou o epílogo de De Gaulle à frente de França. Mas nas legislativas de 68, realizadas em Junho, o partido Gaullista ganhou por ampla maioria e, nas presidenciais de 69, ganhou folgadamente o gaullista Georges Pompidou, que tinha sido o primeiro-ministro a aguentar e resolver o... "Maio de 68".
A violência nunca dá votos. Custa dizer isto mas a violência só resulta quando leva a uma... revolução. Que não se deseja. Há dois dias falava-se do protesto dos estudantes e da crise da habitação. Hoje só se fala da violência.
Mais uma vez digo: vejo cada vez mais claramente Marine Le Penn presidente de França em 2027. E aí o futuro talvez repouse na polícia e nos militares de França e como eles irão cumprir as ordens que entretanto lhes serão dadas nesse tempo em que o desejo popular maioritário de ordem repousará no mando de gente... nada democrática.
As terríveis imagens da Mairie de Limoges a arder serão um sinal. Le maire - de centro-direita - foi dizendo que a desordem fôra organizada pela extrema-esquerda. Em quem irá ele votar em 2027?
2. Afinal eu prefiro a Associação Académica de Coimbra ao Tribunal Constitucional. E, se pudesse, ia viver para dentro das suas instalações, que excluiram o CHEGA.
"Il sorpasso" foi uma expressão política criada nos anos 70 em Itália quando houve a expectativa não confirmada do Partido Comunista Italiano, convertido ao eurocomunismo por Enrico Berlinguer, ter mais votos que a Democracia-Cristã, no poder desde 1945. Acho uma expressão bonita. Há meses largos que o CHEGA está à frente da AD nas sondagens. "Il sorpasso" português à direita está a acontecer. O mesmo está a acontecer em França, no Reino Unido, em Itália, onde até já temos a extrema-direita a governar. O esvaziar da direita para a extrema-direita acontece porque o centro está a desaparecer. Idem os direitos das minorias, incluindo já, atenção, as "grandes" minorias, como por exemplo os jovens, que são apenas 1 em cada 8 votantes em Portugal (34 anos ou menos). A vontade da maioria é o mantra do populismo. As liberdades e garantias, a solidariedade social, um projecto nacional compreensivo não. E tudo começou um pouco quando em 1987 Margaret Thatcher disse: "There is no such thing as society.". Hoje aqui estamos. Com o deputado Bruno Nunes do CHEGA a dizer na Assembleia da República alto e em bom som: "Enconstem-nos à parede!".
3. Issa Doumbia nasceu em Treviglio, na Lombardia. Marca golos bonitos.
4. Porque um top dez dos melhores ciclistas masculinos de estrada da história não é tão difícil de fazer quanto isso, apresento-vos (ah ah!!!) o meu top 11-20! 20: Costante Girardengo; 19: Rik van Looy; 18: Ferdi Kubler; 17: Joop Zoetemelk; 16: Alberto Contador; 15: Roger de Vlaemynck; 14: Felice Gimondi; 13: Louison Bobet; 12: Francesco Moser; 11: Primoz Roglic.
5. "No punishment in my opinion is too great to the man whos greatness is made on the ruin of the country." - George Washington.
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