sábado, 1 de março de 2025
O Solverde e Montenegro. Ou e se fosse eu o Ministro da Saúde?
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025
A Mariana tem um tio.
A Mariana tem um tio. E lembra-me esta frase uma canção que ouvi ao Camané. Um valoroso tio, incurável na sua doença, lentamente à espera.
Como gosta deste tio a Mariana. E apesar da doença não compreende a Mariana porque o tem como tio, o cansaço a falar. Mariana tem um tio que é professor de matemática, um verdadeiro pedagogo, palavra grega que significa “condutor de crianças”, por exemplo a Beatriz, e centenas de outras, os alunos como filhos multiplicados. Disse-te, Mariana, que a explicação provável para aquilo que não entendes é a necessidade de alegria, a mais rara das terras. E sem lógica, sem qualquer lógica mas tão necessária para todos nós, mais ainda para um professor de matemática. Como a doença que atingiu o teu tio acontecer e acontecer, tão sem lógica.
Talvez já não consiga mas o teu tio explicar-te-ia o seguinte paradoxo: se não fosse a busca da alegria encetada pelo teu tio, tu não o conhecerias, não seria o teu tão amado tio, Mariana, pedagogia pura a acontecer por igual mas não na Maia, não no teu quintal, na tua sala.
Celebremos então este Homem naquilo que te deu, dá e dará, pois a memória nunca é uma história acabada, cresce e reproduz-se e, vais ver, do teu tio terás sempre, na esquina de um qualquer tempo que é matemática pura, memórias novas para o lembrar.
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
A Adília Lopes e eu.
domingo, 22 de dezembro de 2024
Louvor e Desagravo de João Pereira ou Shakespeare au Portugal.
domingo, 27 de outubro de 2024
Morreu o sr. Moniz. Foi no Bairro do Zambujal na Amadora.
O sr. Moniz foi a uma festa de uns amigos, seria um casamento? Ao voltar a casa, pegou no seu carro e conduziu em direcção a casa. Dois jovens polícias, tinham idade para serem filhos dele, deram-lhe ordem para parar. Nos filmes habitualmente circula um polícia mais velho com outro mais novo. Não era o caso. O sr. Moniz mora fora de Lisboa, o carro é importante para fazer a sua vida. Sem saber muito bem porquê o sr. Moniz (talvez por águas passadas e já bem pagas mas não esquecidas) entrou em pânico e decidiu fugir. Teria bebido demais? Não queria descobrir a resposta no balão. Meteu para dentro de um bairro, se calhar podia despistá-los, como nos filmes. Mas não estava habituado a isto, nos filmes devia ser mais fácil, bateu num carro estacionado, depois noutro, noutro ainda, e o carro dele não andou mais. Chegaram os polícias e deram-lhe ordem para sair do carro. Ele poucos minutos antes estava a sair sim mas de uma festa. Como era nos filmes? Ouviu dois tiros, tentou outra vez fugir, um terceiro tiro enviou-o para o chão donde não mais se levantou. E ainda ouve mais um tiro e o resto desapareceu, apagou-se. Os polícias telefonam para o 112. São tão novos. Tentam convencer-se de que os tiros foram bem dados. Eles sabem que não foi assim. Na polícia não ensinam Suporte Básico de Vida? Nos filmes não se tenta estancar as hemorragias? O INEM vai chegar tarde demais. Se os tiros tivessem sido dados à porta de um hospital... O sr. Moniz, Odair Moniz de nome completo, morreu. Nos filmes verdadeiramente ninguém morre. Na vida real sim. Isto foi o que o sr. Moniz ensinou aos rapazes polícias, perdendo pelo meio a própria vida.
OK, está bem, mas alguém lhe perguntou se ele queria dar esta aula e por ela pagar um preço tão alto?
Ah, esqueci-me de referir: o sr. Moniz era negro, caboverdiano, a viver cá há mais de 20 anos. Com família constituída e estimada. Os amigos chamavam-lhe Dá. Dizem que era boa gente. Na televisão dizem "o Odair".
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
As palavras cruzadas, uma barbearia e o Líbano.
Mas o crepúsculo vespertino, vivido ao chegar a casa, lembrou-me que tinha uma televisão à minha espera. E que a televisão ia-me oferecer, se ligada, por horas a fio a maldade do mundo. Na Penha de França um rapaz matou três pessoas por não ter acontecido um corte de cabelo. Quatro, uma das pessoas estava grávida. Tinha consumido cocaína antes, será atenuante. Refugiado em casa de um tio, foi entregue pelo pai à Judiciária. Resume-se assim: "foi a droga". Maior droga é o poder, faz-se tudo para o manter. Assim Benjamin Netanyahu, 44000 mortos o rodeiam, em Gaza, no Líbano, na Síria, ele mandou-as matar para se manter no poder. Não o poder de decidir quando cortar o cabelo, mais. Muito mais. É esta a única explicação. O massacre de 7/10 o esplêndido pretexto. Sim, o Hezbollah guarda mísseis entre a cozinha e a sala de jantar em muitas casas insuspeitas. Mas, orque apareceu o Hamas, porque acontece o Hezbollah? Preso o assassino do barbeiro Pina muitos dirão: "É matá-lo!". Netanyahu tem vários esquemas de defesa que tornam essa hipótese (para ele) impossível. Um chama-se Iron Dome, os outros não me lembro. Biden ligou-lhe: "Bibi, what the fuck?"
A minha mãe adivinhou, com metade das letras por saber, que "indivíduo" podia ser "criatura". Netanyahu é mesmo uma criatura filha da puta. Não me lembro de outra pior.