A Mariana tem um tio. E lembra-me esta frase uma canção que ouvi ao Camané. Um valoroso tio, incurável na sua doença, lentamente à espera.
Como gosta deste tio a Mariana. E apesar da doença não compreende a Mariana porque o tem como tio, o cansaço a falar. Mariana tem um tio que é professor de matemática, um verdadeiro pedagogo, palavra grega que significa “condutor de crianças”, por exemplo a Beatriz, e centenas de outras, os alunos como filhos multiplicados. Disse-te, Mariana, que a explicação provável para aquilo que não entendes é a necessidade de alegria, a mais rara das terras. E sem lógica, sem qualquer lógica mas tão necessária para todos nós, mais ainda para um professor de matemática. Como a doença que atingiu o teu tio acontecer e acontecer, tão sem lógica.
Talvez já não consiga mas o teu tio explicar-te-ia o seguinte paradoxo: se não fosse a busca da alegria encetada pelo teu tio, tu não o conhecerias, não seria o teu tão amado tio, Mariana, pedagogia pura a acontecer por igual mas não na Maia, não no teu quintal, na tua sala.
Celebremos então este Homem naquilo que te deu, dá e dará, pois a memória nunca é uma história acabada, cresce e reproduz-se e, vais ver, do teu tio terás sempre, na esquina de um qualquer tempo que é matemática pura, memórias novas para o lembrar.